segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

É ... Nicolelis... poderia ser pior, acredite. - Fragmentos

ENTREVISTA COM MIGUEL NICOLELIS

Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio. Pioneiro nos estudos sobre interface cérebro-máquina, suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que devem mudar o mundo, divulgada em 2001 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science. Na quarta-feira, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. Ao Estado, Nicolelis falou sobre o impacto da neurociência no futuro da humanidade. Criticou de forma contundente a gestão científica no País, especialmente em São Paulo. Também questionou os critérios – marcadamente políticos – que teriam norteado a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.


"Como você se vê na Academia?

Sou um pária. Não tenho o menor receio de falar isso. Sou tolerado. Ninguém chega para mim de frente e fala qualquer coisa. Mas, nos bastidores, é inacreditável a sabotagem de que fomos vítimas aqui em Natal nos últimos oito anos. Mas sobrevivemos. O Brasil é uma obsessão para mim. Há muita gente que não faz e não quer que ninguém faça, pois o status quo está bem. Tenho excelentes amigos na academia do País, respeito profundamente a ciência brasileira. Sou cria de um dos fundadores da neurociência no Brasil, o professor César Timo-Iaria, e neto científico de um prêmio Nobel argentino – Bernardo Alberto Houssay.

Por isso, foi uma triste surpresa os anticorpos que senti quando eu voltei. Algumas pessoas ficaram ofendidas porque não fiz o beija-mão pedindo permissão para fazer ciência na periferia de Natal. Este ano, na avaliação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), tivemos um dos melhores pareceres técnicos da área de biomedicina. E o nosso orçamento foi misteriosamente cortado em 75%. Pedi R$ 7 milhões. Recebemos R$ 1,5 milhão.



Operamos com um sexto do nosso orçamento. As pessoas têm medo de abrir a boca, porque você é engolido pelos pares
. Então, eu fico imaginando um pesquisador que volta para o Brasil depois de estudar lá fora. De qualquer forma, o pessoal precisa entender que voltar para o Brasil é assumir um tipo especial de compromisso. Não é ir para Harvard, Yale… Você deve estar disposto a dar seu quinhão para o País porque ele ainda está em construção. Nem tudo vai funcionar como a gente quer. Vejo muita gente egoísta voltando para o Brasil. Os jovens precisam olhar menos para o umbigo e mais para a sociedade."

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/nicolelis-diz-que-sofreu-sabotagem-nos-bastidores.html

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PEDRO DEMO - FRAGMENTOS II

"A nova LDB, infelizmente, consagrou a idéia obtusa da educação como ensino, instrução, treinamento, tendo como seu parâmetro mais ostensivo o aumento dos dias de aula para 200 no ano, como se a aprendizagem melhorasse pela via da acumulação das aulas . Ledo engano. O aluno que perde aula no fundo não perde nada, se a aula apenas reproduzir conhecimento superado. Dificilmente encontramos em nosso meio a aplicação de processos reconstrutivos, com base em pesquisa e elaboração própria no aluno, e em orientação e avaliação no professor. Quando pensamos em melhorar o ensino, pensamos logo em melhorar a aula, no fundo apenas incensando defunto, como é em grande parte a experiência banal das teleconferências: não passam, quase sempre, de uma aula mais enfeitada. Por outra, investimos também em outras instrumentações, úteis em si, mas que, sem o devido cuidado educativo, propendem a repisar o caráter reprodutivo de nossa didática, como o computador, a parabólica e mesmo o livro didático. Na verdade, o fator externo mais fundamental da aprendizagem do aluno é de longe o professor. Se este não souber aprender, não saberá fazer o aluno aprender. Sua tarefa essencial não é dar aula – qualquer um dá aula – mas fazer o aluno aprender."

Fonte: ftp://ftp.cefetes.br/.../TELEDUCAÇÃO%20E%20APRENDIZAGEM.doc

PEDRO DEMO - FRAGMENTOS



A pesquisa supõe uma reelaboração do conhecimento, ou seja, deve vir acompanhada de um processo de apreensão do conhecimento. Como a educação reconstrutiva concilia pesquisa e ensino?

Pedro Demo - Vamos colocar de outra maneira: você precisa de informação e de formação. Você não aprende sem vasculhar o que já está disponível. Mas a educação não é propriamente isso. Isso é meramente um processo informativo que pode ser feito pela eletrônica. Nem é preciso professor para meramente transmitir conhecimento. Mas o professor é absolutamente necessário para o processo reconstrutivo, como orientador, avaliador do aluno. A perspectiva muda bastante. O que nós estamos acostumados a ver no dia-a-dia é a proposta instrucionista, baseada no ensino, na instrução, no treinamento. Isso não é educação. Também é importante, também faz parte, mas o nível educativo se atinge realmente quando aparece um sujeito capaz de propor, de questionar. Precisamos de pesquisa e elaboração própria. São dois conceitos nos quais eu insisto bastante.

Fonte: http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0035.asp

Warat - Fragmentos II

Captura: Voltando à questão anterior do sujeito. Acredito que existe um dado que deva ser considerado, que vem sendo trabalhado por muitos autores como Derrida e Deleuze, que é a questão da subjetividade. Entendo que a subjetividade é constitutiva do sujeito. Como entender a subjetividade desgarrada do sujeito?

Warat: Não há nada além do desgarro. A subjetividade é constituída de fluxos desgarrados. Somos um devir constante. Tanto assim que você agora não é a mesma que estava sentada aí há dez minutos. Essa pessoa já não existe mais.
Porque a pessoa que está aí é diferente daquela que estava sentada há dez minutos e também será diferente daquela que irá embora daqui a meia hora.

Captura: Mas ao mesmo tempo são a mesma pessoa.

Warat: Como uma ficção. Você constrói a ficção de uma identidade na desigualdade. Você quer congelar o devir para deixar que teu corpo tenha alguns referentes fixos. Isso é uma ilusão. Muitas pessoas vivem essa ilusão.
Eduardo, Marta, vocês não existem. Eu também não existo. O mundo é um sistema de ilusões. E tentar sair desse sistema para ter uma mirada crítica também é uma ilusão. É claro que necessito ter algumas ilusões, porque senão não resta nada. Porém, o que existe além das ilusões? Nós temos que inventar um sentido para nossas vidas.


Fuente:
Revista CAPTURA CRÍPTICA: direito, política, atualidade. Florianópolis, n.2., v.2., jan./jun. 2010Revista Discente do Curso de Pós-Graduação em Direito - Universidade Federal de Santa Catarina
http://www.ccj.ufsc.br/capturacriptica/n2v2.htm






Fonte
http://luisalbertowarat.blogspot.com/2010/01/entrevista-luis-alberto.html

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO

"O juízo crítico se desenvolve mais
pela forma como se ensina do que pelo conteúdo do que se ensina.
Mas a falta ou o excesso de conteúdo, por exemplo, contamina a
forma. A relação entre forma e conteúdo é igualmente dialética e é
sua justa mediação que dá ao educando condições de, por um lado,
aprender a agir autonomamente dentro de um marco de referência
universalista para, por outro lado, habilitá-lo a se desenvolver na sua
particularidade. É essa condição que permite ao indivíduo autônomo
tanto sua autodeterminação quanto sua auto-realização, seja colocando-
se da perspectiva ética de membro de uma comunidade em devir,
seja pela afi rmação de seu próprio valor por meio de atividades
criativas, como as ciências ou as artes."

Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004370.pdf

WARAT - FRAGMENTOS



"RF - O Sr. defende seus pensamentos partindo de um princípio pessimista ou realista?
LAW - O princípio fundamental é o Anarquismo. Sacanagem pura, no autêntico sentido do anarquismo.
.
CF - Para prevenirmos a violência, existe algum caminho, na sua concepção?
LAW - Sim. Colocando poesia e beleza na convivência das pessoas.
.
CF - Como o Sr. define a Anarquia?
LAW - Uma luta permanente contra os meios de comunicação que nos imbeciliza, contra as instituições que nos imbeciliza, contra a religião judaica, muçulmana e o cristianismo que nos imbeciliza. É nossa forma de pensamento porque somos ateus.
.
CF - Como vamos conseguir introduzir os valores na humanidade se não através da religião, da cultura e da educação?
LAW - Essa pergunta me deixa claro que você precisa rapidamente ser tratada.
.
CF - Mas então qual é o caminho?
LAW - Através da sensibilidade, recuperando a animalidade, pois somos animais racionais.
.
CF - Através da arte, é isso?
LAW - Sim.
.
CF - Mas a religião também pode trabalhar a sensibilidade, não?
LAW - Não. Ela manipula a sensibilidade!"

fonte: http://tailinehijaz.wordpress.com/2011/01/03/entrevista-irada-com-warat/#comment-378

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

UNIVERSIDADE POPULAR: MICHEL ONFRAY

Fragmento de entrevista com Michel OnfraY



As escolas foram associadas à domesticação do indivíduo. Essa idéia ainda é válida?

M.O- Mas claro. Penso que as escolas não funcionam senão com isso e para isso. Elas não fabricam senão indivíduos dóceis, obedientes, form

atados, que pensam o que os outros mandam eles pensarem, da forma como mandam. Elas ensinam o que é necessário para reproduzir o sistema social. A Universidade Popular é uma alternativa a isso.
- Hoje, qual seria a função do professor?Onfray -

M.O- O professor é aquele que conduz, que aponta o norte, o sul, e depois diz ao aluno: 'Vire-se você, faça o seu próprio caminho'. Nietzsche dizia que um bom mestre é aquele que ensina os alunos a se desligarem dele. Então é preciso ensinar as pessoas a se desligarem de seus mestres, a serem mestres de si mesmas. É um estranho paradoxo, mas nós, professores, somos feitos para não existir. O que interessa é que as pessoas tenham uma relação direta com a filosofia, na qual eu serei apenas um mediador. Eu sou feito para desaparecer.-

O sr. acha que a escola deveria mudar?

M.O. - A escola deveria ser um lugar onde as pessoas tivessem vontade de estar, de ir e vir, um espaço mais ligado à vida da cidade, com cinema, cafés, bibliotecas, lugares de conferência. A escola se abriria para o mundo do ponto de vista arquitetural, mas também colocaria o saber mais em consonância com as necessidades da época, trazendo valores integrais e proposições que permitissem, por exemplo, discutir o que é o monoteísmo. Será necessário aprender sobre Carlos Magno? Será que não se deveria aprender outra coisa, de outra forma? Penso que há outros conteúdos, outros métodos, que poderiam ser adotados, bem como um novo modelo de frequência, de modo a permitir dizer ao aluno: 'Construa você mesmo o seu aprendizado'.


O que é o saber, hoje, depois que se aprende a ler, escrever e contar?

M.O- É preciso aprender a pensar e a reunir a isso todos os saberes que permitem conhecer. Eu não estou certo que o trabalho de memória sobre um certo número de fatos seja útil para pensar. Então que se trabalhe a retórica, a argumentação, a lógica, a construção de um discurso e de uma proposição. São coisas que se pode aprender, mas que não se aprende. A gramática acabou nas escolas. Imagino que se possa reunir o clássico e o moderno, ensinando também o que é ecologia, informática, biotecnologia etc.

VEr a íntegra: http://brigadasinternacionais.blogspot.com/2007/11/entrevista-michel-onfray-191107.html#links