...Tenho Sol no Porto da Barra
Na quebrada do Hospital Espanhol, aquela luz que só sabe quem tem olhos pra ver, luz no sobrenome
Minha Luano Rio Vermelho, Mercado do Peixe, conversa que vai longe até de manhãzinha
No Horizonte a Gamboa, Contorno, Baia de todos os Santos, ascendente dos meus ancestrais que aqui chegaram sob ferros e fé
Meu Marte fincou pé no Convento da Lapa, 2 de Julho, junto com Quitérias e Joanas fazendo frente
Na casa 12 tenho meus desafios, a casa oculta, os cárceres, os que dormem nas marquises da Barroquinha, invisíveis aos condomínios, sob os mistérios de Plutão e seus segredos, segredo que só o Ifá revela. Freud e Fatumbi na escuta
Na 5 tem as terças da Benção, cravinho, Rauls e Seixas, Baco descendo o Taboão até o Pelourinho
Saturno olha de longe como quem viu de tudo nesse mundo que se possa saber, senhor do tempo, preto velho, tava lá desde o inicio
Mercúrio é o dono da roda, Sete Portas, Comércio, faz a ponte entre os mundos, Plano Inclinado, Hermes e Exu, vem alado gritando "Capelinha, Capelinha", ele desbanca cheiro mole e não tem missão impossivel. Mas numa quadratura com vênus, tem sofrência e poesia, e tem horas que ele clama: na moral, não apertem minha mente!
Júpiter, entre trígonos e conjunções, turbina tudo com sua fome de sorte, areia de abaeté que tudo cobre de branco, e com caldos de sururu pra aumentá as força
Orion estava com seu arco preparado perto do meio do céu, Oxossi na espreita, Plêiades, Três Marias que alumiam as noites de São João
Urano fez gol na Fonte Nova, de repente, na prorrogação, passe sutil de Bobô, BBMP, golzinho no meio da rua, bába de pé descalço na hora do recreio, é que só rala o joelho quem se arrisca
Meu mapa é meu silêncio, não destino.
É a lembrança da voz de minha vó dizendo: vem tomar café, menino
E minha voz soteropolitana dizendo: tô inno, vó
Tô inno
V.L 03.03.2018

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